
Garanto-te que foi a última coisa a passar-me pela cabeça. O tempo e as marcas eram claros e o "não" estava mais que cravejado em mim! Confundes-me, baralhas-me a razão. E eu não nego, ainda és o tudo que me preenche a alma - nunca apaguei as fotos, há memórias que nem com cem anos apagas.
Por mais que queira, não páras de me assombrar, continuo a pensar em ti, não com a intensidade de há uns meses, mas com um misto de carinho, mágoa e saudade. Sei que não gostas, mas vou recordar sempre o que deixaste em mim. Deixaste marcas indeléveis, não rasgadas, antes trabalhadas com o mais fino recorte no meu coração e como todos os grandes artesãos, soubeste trabalhar o meu coração para que eu pudesse gostar ao máximo de ti. Lembro-me do teu sorriso, ligeiramente inclinado para um dos cantos da tua boca, sabendo que em seguida viria a luz nos teus olhos, que brilhavam sempre que te via comigo. Nunca lhes dei o devido valor, mas hoje reconheço-os como sendo carimbo lacrado do amor que sentia por mim. Hoje se calhar lês isto e dás-me exactamente o que preciso: uma enorme dose de realidade. Não quero que voltes para mim, não seria justo. Como não seria sequer minimamente justo pedir-te para seres parte de mim depois de termos tido um fim. Só quero que saibas que não te esqueci e que na cidade do Fado, Saudade escreve-se com letra grande.
Voltaste, arrancaste-me todos os meus impulsos, cortas-me a respiração, roubas-me a ilusão. Sou feliz, ainda assim. És tu!
Deu voltas e voltas. E na volta, não há volta a dar.
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