Tenho um nó na garganta. Já não me lembrava de como era sentir-me assim vazia, por dentro. Amo-te, e estou a cair de novo.
domingo, 20 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
um dia vou partir e não regresso mais
Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a
dizer. E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.

Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.
Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último combóio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar.
Até se conformar e um dia então esquecer.
domingo, 13 de março de 2011
voltas

Garanto-te que foi a última coisa a passar-me pela cabeça. O tempo e as marcas eram claros e o "não" estava mais que cravejado em mim! Confundes-me, baralhas-me a razão. E eu não nego, ainda és o tudo que me preenche a alma - nunca apaguei as fotos, há memórias que nem com cem anos apagas.
Por mais que queira, não páras de me assombrar, continuo a pensar em ti, não com a intensidade de há uns meses, mas com um misto de carinho, mágoa e saudade. Sei que não gostas, mas vou recordar sempre o que deixaste em mim. Deixaste marcas indeléveis, não rasgadas, antes trabalhadas com o mais fino recorte no meu coração e como todos os grandes artesãos, soubeste trabalhar o meu coração para que eu pudesse gostar ao máximo de ti. Lembro-me do teu sorriso, ligeiramente inclinado para um dos cantos da tua boca, sabendo que em seguida viria a luz nos teus olhos, que brilhavam sempre que te via comigo. Nunca lhes dei o devido valor, mas hoje reconheço-os como sendo carimbo lacrado do amor que sentia por mim. Hoje se calhar lês isto e dás-me exactamente o que preciso: uma enorme dose de realidade. Não quero que voltes para mim, não seria justo. Como não seria sequer minimamente justo pedir-te para seres parte de mim depois de termos tido um fim. Só quero que saibas que não te esqueci e que na cidade do Fado, Saudade escreve-se com letra grande.
Voltaste, arrancaste-me todos os meus impulsos, cortas-me a respiração, roubas-me a ilusão. Sou feliz, ainda assim. És tu!
Deu voltas e voltas. E na volta, não há volta a dar.
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