quarta-feira, 20 de abril de 2011

o reverso da medalha

just dreams






Seria tão bom sair por aquela porta e conhecer alguém sem precisar de procurar no meio da multidão. Alguém que soubesse aproximar-se sem ser invasivo ou que não se esforçasse tanto para parecer interessante. Alguém de quem eu não quisesse fugir quando a intimidade derrubasse as nossas máscaras, que segurasse a minha mão e tocasse no coração, que não me prendesse, não me limitasse, não me mudasse, alguém que me roubasse um beijo no meio de uma discussão e me tirasse a razão sem que isso me ameaçasse, que me dissesse que eu canto mal, que eu falo demais e que se risse das vezes em que eu fosse desastrada. Alguém de quem eu não precisasse, mas com quem eu quisesse estar sem motivo certo. Alguém com qualidades e defeitos suportáveis que ainda assim eu não conseguisse olhar noutra direcção. Alguém que me encontrasse até quando eu tento desesperadamente esconder-me do mundo. Eu queria sair por aquela porta e conhecer alguém imperfeito, mas feito para mim.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

e retribuições?


Um dia será assim, um dia levantarei a cabeça da escuridão onde me deixaste. Onde me deixas ainda, dia após dia, momento após momento. Quero forçosamente levantar-me, mas a força necessária falha-me, e a apatia faz com que tudo me passe ao lado. Tudo menos tu, tu que me tiras tanto e dás tão pouco!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

domingo, 20 de março de 2011



Tenho um nó na garganta. Já não me lembrava de como era sentir-me assim vazia, por dentro. Amo-te, e estou a cair de novo.

terça-feira, 15 de março de 2011

um dia vou partir e não regresso mais


Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a
dizer. E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.


Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.


Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último combóio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.


Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar.


Até se conformar e um dia então esquecer.

domingo, 13 de março de 2011

voltas


Garanto-te que foi a última coisa a passar-me pela cabeça. O tempo e as marcas eram claros e o "não" estava mais que cravejado em mim! Confundes-me, baralhas-me a razão. E eu não nego, ainda és o tudo que me preenche a alma - nunca apaguei as fotos, há memórias que nem com cem anos apagas.

Por mais que queira, não páras de me assombrar, continuo a pensar em ti, não com a intensidade de há uns meses, mas com um misto de carinho, mágoa e saudade. Sei que não gostas, mas vou recordar sempre o que deixaste em mim. Deixaste marcas indeléveis, não rasgadas, antes trabalhadas com o mais fino recorte no meu coração e como todos os grandes artesãos, soubeste trabalhar o meu coração para que eu pudesse gostar ao máximo de ti. Lembro-me do teu sorriso, ligeiramente inclinado para um dos cantos da tua boca, sabendo que em seguida viria a luz nos teus olhos, que brilhavam sempre que te via comigo. Nunca lhes dei o devido valor, mas hoje reconheço-os como sendo carimbo lacrado do amor que sentia por mim. Hoje se calhar lês isto e dás-me exactamente o que preciso: uma enorme dose de realidade. Não quero que voltes para mim, não seria justo. Como não seria sequer minimamente justo pedir-te para seres parte de mim depois de termos tido um fim. Só quero que saibas que não te esqueci e que na cidade do Fado, Saudade escreve-se com letra grande.

Voltaste, arrancaste-me todos os meus impulsos, cortas-me a respiração, roubas-me a ilusão. Sou feliz, ainda assim. És tu!

Deu voltas e voltas. E na volta, não há volta a dar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

caminhos

Caminhos traçados, entrelaçados e cruzados - a voz da força que, ingenuamente, carregamos no peito, emerge vitoriosa aquando das necessidades que lhe exigimos. Mas nem sempre ouvimos essa voz, e ela dilui-se lentamente no tempo e nas marcas que deixamos pelos caminhos percorridos. Porque o importante não é ganhar a guerra, mas sim a conquista da vitória. E, quanto às pedras do meu caminho, espero tropeçar em cada uma delas e, em cada uma delas, eu quero encontrar uma lágrima, um sorriso, um aperto no peito e uma sensação de paz, de cada uma delas, eu espero uma lição de vida. Porque eu, eu sou um autêntico diário cravejado de palavras doridas e de sonhos impossíveis. Porque eu sou, nada mais nada menos, que bíblia do mundo real e da vida dura e pura que se sente no chão que pisamos todos os dias e no ar que, involuntariamente, respiramos todos esses mesmos dias - porque eu sou retrato de tudo aquilo que me deste e que não vês, de tudo aquilo que escreveste e que já não lês.